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domingo, 12 de outubro de 2014

O Verdadeiro Deus de Amor Em Busca do Verdadeiro Amor [Trecho do próximo livro]

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Com respeito aos esternos propósitos [de Deus]... primeiramente, devemos atentar para o fato de que o Deus da Bíblia não é apenas soberano no que se refere a Seus atributos pessoais e incomunicáveis. Ele também é infinitamente misericordioso, justo, compassivo, longânimo, e o próprio amor. Todos os atributos divinos são perfeitos. Deus é perfeitamente soberano, perfeitamente e infinitamente misericordioso e compassivo, perfeito em longanimidade e justiça, e o perfeito amor em sua mais pura e imaculada forma. Além disso, todos os Seus atributos estão em perfeita harmonia. Não há qualquer dissonância entre eles. Em outras palavras, Deus não é soberano, em detrimento de seu amor, ele não é misericordioso, a despeito de sua justiça e nenhum de seus atributos se sobrepõe aos demais. Deus é um Ser perfeito em sua santa e eterna natureza.
 
Em segundo lugar, mesmo antes da criação de todas as coisas, Deus jamais esteve sozinho em toda a eternidade. Devemos lembrar que nosso Deus é um Deus triuno, isto é, sua natureza compreende três pessoas divinas: O Pai, o Filho (que na eternidade passada era a Palavra, e que há Seu tempo tornou-se o homem Jesus Cristo, possuindo hoje as duas naturezas, a divina e a humana) e o Espírito Santo (Gênesis 1:26; João 1:1; 1 João 5:7-8).
 
Se pararmos um pouco para refletir, veremos que antes da criação do universo (e isto inclui o próprio tempo), desde a eternidade passada, o primeiro atributo eternamente manifesto na Trindade divina foi o amor. Em Lucas 3:22, o Pai diz acerca do Filho: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”. Em João 3:35 e 5:20, somos informados de que o Pai ama o Filho (Leia também João 17:24). E certamente, aquele que glorifica a Cristo, a saber, o Espírito Santo (João 16:13-15) ama e é amado pelo Pai e pelo Filho. Portanto, não há dúvidas de que Deus – mesmo antes da criação dos exércitos celestiais, de cujos detalhes, pela vontade divina, privam-nos as Escrituras – sempre conheceu o amor. E mais do que isto, as três pessoas da Trindade divina expressam o verdadeiro e mais puro amor (sua perfeita essência), cuja natureza é insondável para a limitada mente humana.
 
Contudo, a despeito de nossa limitada compreensão, Deus nos deu uma prova inequívoca de Seu eterno amor ao entregar Seu próprio Filho, que voluntariamente se ofereceu para morrer em nosso lugar (grande é este mistério), garantindo o único meio possível de salvação, segundo Sua perfeita justiça, para todo aquele que crê. E não encontrando uma só palavra capaz de expressar a grandeza imensurável deste amor, o apóstolo João (o amado do Senhor), sob a inspiração do Espírito Santo, escreveu a única sentença cabível ao limitado entendimento humano com respeito ao amor de Deus por todo o mundo: “de tal maneira” (João 3:16).
 
Diante do exposto, é possível que tenhamos agora uma visão mais clara acerca dos eternos propósitos de Deus para a Sua criação, o que inclui certamente uma escolha livre por parte de suas criaturas.
 
Desde a eternidade passada, por sua própria e soberana vontade o Deus triuno que é amor, ensejou criar um universo perfeito, onde suas criaturas pudessem experimentar este mesmo sentimento que as três pessoas da Trindade divina nutrem entre si deste toda a eternidade: o perfeito amor. Para isso, seria necessário que Deus criasse um universo moralmente compatível com Seu perfeito caráter revelado por meio de Seus atributos pessoais (amor, bondade, justiça, misericórdia, compaixão, sabedoria, longanimidade, etc.). Assim, a despeito das discussões filosóficas acerca dos universos possíveis, não restam dúvidas de que somente um universo com criaturas moralmente livres e capazes de experimentar livremente um genuíno, perfeito e eterno amor – tal qual o amor manifesto entre Pai, Filho e Espírito Santo – cumpriria com este propósito. De fato, o verdadeiro amor só pode ser experimentado por meio de uma genuína liberdade de escolha. Deus não queria que suas criaturas experimentassem um amor artificial, nelas implantado por Ele de modo arbitrário. Ele poderia fazer assim? Claro que poderia! Mas esta nunca foi Sua intenção. Além disso, Deus também queria ser amado por suas criaturas unicamente por Ser quem Ele é, e este amor deveria ser autêntico e espontâneo, e não “programado”, como a criar alguns para amá-lo e outros para odiá-lo, como ensina o calvinismo, embora tentem negá-lo.
 
Em Sua presciência (algo que não têm sentido algum dentro do sistema calvinista), Deus sabia que seres dotados de uma liberdade moral e capazes de fazer escolhas livres poderiam decidir rejeitá-lo e se rebelar contra Ele. Contudo, como já deixamos claro a algumas páginas atrás, o livre-arbítrio não é a causa efetiva do mal, e sim potencial. Deus sabia que fazendo uso de seu livre-arbítrio, Lúcifer iria se rebelar e levantar-se contra Seu trono. Ele também sabia que a serpente tentaria a mulher e que o homem iria sucumbir ao pecado desobedecendo Sua ordem expressa para que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:16; 3:2). Deus não foi pego de surpresa, e muito menos resolveu se arriscar criando seres livres sem saber o que, de fato, ocorreria. Não! Deus certamente sabia deste a eternidade passada os rumos que tudo o que houvera criado tomaria, porém, Ele jamais foi a causa necessária de qualquer evento subsequente à concessão de uma vontade livre às suas criaturas. A presciência de Deus é um atributo incomunicável da divindade (assim como sua Soberania), algo que nenhum outro ser por Ele criado possui. Tal atributo permite que Ele conheça antecipadamente cada ação, palavra ou pensamento de suas criaturas sem, contudo, causá-las. Lembre-se que Deus criou o tempo e, por isso, está fora dele. Deus não ocupa um lugar no espaço físico quadridimencional, pelo que Ele jamais esteve sujeito ao tempo. Tal entendimento está perfeitamente de acordo com as Escrituras (1 Reis 8:27; Atos 17:24; João 4:24; 1 Coríntios 15;44; 1 Timóteo 6:16; etc.). Os calvinistas, porém, parecem não conseguir enxergar isso.
 
O fato de Deus estar ciente de tudo o que ocorreria à sua criação, não o impediu de efetivar aquilo que Sua perfeita vontade planejou, desde a eternidade passada, para todos os homens (Mateus 25:34; Efésios 1:4; 1 Pedro 1:20; Apocalipse 13:8; 17:8). É exatamente aqui que encontramos o porquê de Deus haver posto em ação Seu plano criativo. Como afirmamos antes, em outros termos, Deus intentava ter eternamente a Seu lado criaturas que o amassem verdadeira e genuinamente por Ser Ele Aquele que as “amou primeiro” (1 João 4:19). Criaturas que nutram por Ele o mesmo amor que Ele demonstrou por toda a humanidade (João 3:15-16). E nada poderá frustrá-lo em Seus eternos propósitos de reunir eternamente para Si aqueles que verdadeiramente o amam. No final de tudo (na consumação dos séculos), Deus terá diante de Seu trono não somente um exército de anjos que, fazendo uso de sua livre-escolha, decidiram amá-Lo e permanecer fiéis a Ele quando da rebelião de Lúcifer, como também uma incontável multidão de verdadeiros crentes, que por sua livre e espontânea escolha passarão a eternidade louvando e engrandecendo o Seu Santo Nome (Apocalipse 19:5-7; 21:23-27). Ninguém dentre aqueles que por toda a eternidade estarão diante Dele nos céus, estará ali por que Ele o “programou” para amá-Lo. De igual modo, os que passarão a eternidade no inferno, não foram alvos de Sua rejeição arbitrária, mas estarão ali, por que decidiram fazer mal uso do livre-arbítrio que Deus lhes concedeu para rejeitá-Lo e rebelar-se contra Ele.
 
Note, portanto, leitor, que o livre-arbítrio é um dom, isto é, um bem moral que Deus concedeu a todas as suas criaturas dotadas de um senso racional consciente. E uma vez mais repetimos: o livre-arbítrio não é a causa efetiva, isto é, objetiva do mal. Pelo contrário, o livre-arbítrio é um bem dado por Deus a todos os seres morais criados por Ele. No entanto, fazendo mal uso deste maravilhoso presente divino, o qual denota uma legítima liberdade de escolha, algumas de Suas criaturas decidiram confrontá-Lo, arruinando (apenas temporariamente) Sua perfeita criação.
 
Finalizo este tópico, me dirigindo a todos com as seguintes palavras: Deus quer ser amado de modo genuíno e espontâneo por todas as Suas criaturas, e não porque condicionou somente alguns a isto. Um amor autêntico e espontâneo requer uma liberdade incondicional de escolha. Pergunte a si mesmo: Você que é esposo e pai, sente-se realmente obrigado a amar sua mulher e filhos? E você, meu caro irmão calvinista, realmente crê que Deus o “programou” para amar sua família e que Ele realmente “preordenou” que alguns homens e seres por Ele criados cometessem os mais hediondos crimes que depõem contra Sua própria santidade? Sinceramente, não compreendo como a mente e a consciência humana sejam capazes de mostrar traços de misericórdia, justiça, amor, e compaixão mais elevados do que os padrões divinos? Isto seria uma afronta ao caráter do verdadeiro Deus da Bíblia, além de um completo absurdo!
 
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D. S. Castro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Divulgação - "O Dízimo e o Sábado" (Chamada para a TV local)


Afinal, o "dízimo" é do Senhor ou do "Pastor"?

Em Malaquias 3:10, o Senhor diz a Israel (e não à Igreja!):
 
“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação (Israel, e não a Igreja!). Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa”.
 
Muitos “pastores”, julgando-se os legítimos “sucessores” dos sacerdotes levitas, ou como alguns costumam dizer, os “levitas da Nova Aliança”, adoram citar a passagem em apreço para requerer dos crentes o que afirmam “pertencer ao Senhor”, a saber, os dízimos, conquanto eles (os ditos “pastores”) julguem-se os responsáveis por administrá-los, dizem eles, “conforme a necessidade da igreja”. Sim, pois conforme interpretam, em Números 18:24, o Senhor diz: “os dízimos dos filhos de Israel... tenho dado por herança aos levitas”, conquanto a maioria deles evita o restante do verso: “porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão”. Só por curiosidade, façamos uma adaptação desta passagem utilizando os termos próprios da Nova Aliança sob a qual se encontra hoje a igreja, inclusive da parte em geral omitida pela maioria dos ditos “pastores”. Creio que teríamos algo, mais ou menos, como segue: “os dízimos dos crentes em Cristo... tenho dado por herança aos “pastores”, porquanto eu lhes disse: No meio dos crentes nenhuma herança terão.
 
Embora pareça estúpido e até mesmo irônico tal “ajuste” feito em Números 18:24 por este que vos escreve, na prática, porém, de modo convenientemente sutil, é exatamente o que muitos “pastores” e líderes cristãos de hoje estão fazendo parecer. Não estariam de fato eles adaptando as Escrituras àquilo que lhes parece mais propício?
 
Por outro lado, tratando ainda desta esdrúxula, porém, elucidativa adaptação que fiz da passagem em questão, poderíamos nos perguntar: Que herança teriam os demais crentes, a qual é negada aos ditos “pastores” a quem o Senhor supostamente entregou todos os dízimos dos cristãos? Inúmeras passagens falam de modo inequívoco da herança dos crentes em Cristo, conquanto sempre enfatizando tratar-se de uma herança celestial e nunca terrena, como a que foi prometida especificamente a Israel no Antigo Testamento. Em 1 Pedro 1:3-4, por exemplo, nos é dito: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós”. Seria esta a herança dos crentes à qual seus “pastores” não têm direito por haver Deus supostamente dado a eles a “prerrogativa” de receber os dízimos daqueles? Estou certo de que todo este confuso arrazoado não tem o menor cabimento, embora não duvide que muitos “pastores” já têm recebido seu galardão nesta terra e há muito perderam o “direito” a esta “herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para os verdadeiros crentes”. No entanto, o objetivo destas linhas é mostrar que não há fundamento bíblico nenhum para o que muitos “pastores” e até mesmo “teólogos”, muito dos quais, de renome, estão fazendo! Tomar textos do Antigo Testamento em que Deus fala especificamente ao povo israelita para “formular doutrinas” que supostamente se aplicam à igreja, é uma afronta não somente ao claro ensino das Escrituras, mas também à própria ortodoxia dispensacional – que estabelece à luz da Bíblia uma clara distinção entre a nação israelita e a Igreja, com promessas distintas para ambas (terrenas para Israel e celestiais para a Igreja) – e, sobretudo, uma desproposita agressão ao bom senso e à inteligência dos crentes mais esclarecidos.
 
Por isso, queridos irmãos e irmãs dizimistas, embora vocês julguem não ser de “vossa conta” (um ledo engano de sua parte, permita-lhe alertá-lo!), responda a você mesmo esta sincera pergunta: o dízimo que você julga ser um dever ou obrigação de todo o crente e que você tem regularmente entregado no “templo” de sua denominação, “pertence realmente ao Senhor” ou, de fato, “ao seu Pastor”? Seu “pastor” tem realmente administrado de modo justo e adequado o que você tem posto em suas mãos? Lembre-se de que na Antiga Aliança não eram apenas os levitas os beneficiários dos dízimos. Além disso, é interessante notar que não eram apenas os levitas que administravam todos os dízimos dos filhos de Israel, mas em geral o próprio dizimista! (Deuteronômio 14:28-29). Isto nos leva, portanto, a seguinte indagação: Dos pelo menos três “tipos” de dízimos mencionados no Antigo Testamento qual deles deveríamos praticar hoje e com que regularidade? De fato, jamais se poderá chegar a um consenso quanto a isto, o que honestamente deveria nos levar a admitir que não estamos mais debaixo deste preceito!
 
Por um cristianismo autêntico,
 
D. S. Castro.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Livro "Debatendo com os CALVINISTAS"

(Uma Compilação de Debates Pessoais sobre o Calvinismo)
 
 
Dos debates travados pelo autor com alguns seguidores da doutrina Calvinista, alguns dos quais, mostraram-se amigáveis e solícitos a refletir biblicamente sobre seu sistema doutrinário, embora outros, por sua vez, demonstraram uma debochada arrogância e um presunçoso orgulho de verdadeiros "fanáticos religiosos", são apresentados neste volume apenas os que se desenrolaram no Facebook, todos na íntegra, isto é, sem cortes ou edições (exceto algumas eventuais correções ortográficas).
 
O leitor poderá acompanhar o desenvolvimento das discussões, exatamente na ordem em que transcorreram seguidas eventualmente de notas dirigidas a você (leitor), com vistas a esclarecer certos pontos abordados nos comentários e determinadas situações ocorridas no calor das discussões. Este livro, portanto, não é um compêndio sobre o Calvinismo, mas apenas uma compilação de debates e “debates” em que foram abordados alguns dos pontos fundamentais da doutrina Calvinista, e visa dar ao leitor uma pequena ideia acerca deste sistema irracional e antibíblico, cujos seguidores afirmam ser o próprio evangelho em sua “mais clara e pura expressão” (segundo afirma o Calvinista Leonard Coppes).
 
Portanto, o que por hora é apresentado pelo autor, é uma intensa batalha em defesa da genuína verdade do Evangelho e do próprio caráter do verdadeiro Deus da Bíblia, que não apenas é soberano, mas também é amor, graça, misericórdia e compaixão. Um Deus que ama verdadeiramente todos os homens e a todos oferece uma genuína oportunidade de Salvação.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O "Elias" dos Últimos Dias?

(Uma Breve Análise Bíblica a Respeito do "Desafio" de Bill Keller).
 
 
É lamentável ver como muitos crentes hoje superestimam os sinais e maravilhas em detrimento da simples e ousada pregação do Evangelho. Longe de mim questionar a sinceridade, a fé e o compromisso de Bill Keller com a causa de Cristo, provavelmente motivadas por sua justa indignação com as afrontas terroristas dos partidos islâmicos, contudo, sua atitude, não demonstra maturidade e discernimento quando confrontada com o claro ensino das Escrituras.

Primeiramente, devemos lembrar que o “EVENAGELHO DE CRISTO... é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16) e que hoje (diferente dos tempos da lei), Deus nos fala por intermédio de SEU FILHO (Hebreus 1:1). Isto não significa, entretanto, que os milagres, sinais e prodígios que Deus certamente é capaz de operar não encontrem seu lugar dentro do viver e da experiência cristã diária, pois Cristo mesmo nos disse que “estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão” (Mateus 16:17). Contudo, “estes sinais“ a que Cristo se refere “seguirão aos que crerem”, e não são, necessariamente, a razão pela qual o ímpio crerá. Em João 2:24 lemos sobre certa vez em que Cristo, estando em Jerusalém por ocasião da Páscoa “durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia”, pois [Ele] “não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem”. De fato, muitos dos que seguiam a Cristo, estavam apenas “vislumbrados” com os sinais que Ele operava. E temos a prova deste fato claramente registrada em João 6:32-69 quando muitos daqueles que O seguiam ao serem confrontados por Ele com a verdade e essência do Evangelho, simplesmente debandaram, ainda que tenham presenciado muitos sinais operados pelo Senhor.

Em segundo lugar, os sinais que Deus é e sempre será capaz de realizar apenas provam que Ele é Deus e deve ser temido e não são essencialmente indispensáveis para levar o homem à fé (ao menos não deveriam ser). Quando Cristo se mostrou aos doze após haver ressuscitado, sabemos que Tomé não creu até que O viu e O tocou. No entanto, a ele Cristo disse: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29). Sinais e prodígios não podem ser a base de nossa fé. Nossa fé deve estar firmada na Pessoa e na obra redentora de Cristo.

Em terceiro lugar, temos provas mais do que suficientes no Antigo Testamento de que os sinais e prodígios realizados por Deus no meio do povo de Israel não foram suficientes para mantê-los obedientes e fiéis ao Senhor. Em Números 14:22, por exemplo, lemos:

“E disse o SENHOR: Conforme à tua palavra lhe perdoei. Porém, tão certamente como eu vivo, e como a glória do SENHOR encherá toda a terra, E QUE TODOS OS HOMENS QUE VIRAM A MINHA GLÓRIA E OS MEUS SINAIS, QUE FIZ NO EGITO E NO DESERTO, E ME TENTARAM ESTAS DEZ VEZES, e não obedeceram à minha voz, Não verão a terra de que a seus pais jurei, e nenhum daqueles que me provocaram a verá”.

E o escritor aos Hebreus (que creio ter sido Paulo) falando sobre as muitas vezes em que o povo israelita tentou a Deus no deserto, nos diz:

“Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, Não endureçais os vossos corações, Como na provocação, no dia da tentação no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provaram, E viram por quarenta anos as minhas obras”. (Hebreu 3:7-9).

Em quarto lugar, a Bíblia claramente nos adverte “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mateus 4:7; Lucas 4:12). Pôr Deus à prova, fazendo um “acordo” com os ímpios e requerendo deles que se dobrem perante o Senhor caso tenham uma prova de que Ele é o verdadeiro e único Deus por meio de sinais e prodígios, não implica simplesmente em desafiar o ímpio em si, mas ao próprio Deus. Isto é o mesmo que tentá-lo! Além disso, no contexto de 1 Reis 18, não vemos Elias fazendo qualquer acordo com os profetas de Baal de que se Deus derramasse fogo do céu, eles deveriam abandonar o seu falso deus e se converter ao verdadeiro Deus de Israel. Ao contrário disto, todos foram mortos pelos israelitas (versos 39 e 40). Em outras palavras, Elias não pôs em “risco” sua fé desafiando (isto é, tentando) a Deus. Acaso Elias disse que adoraria a Baal se ele lançasse fogo do céu? Elias fez, porventura, um acordo com os falsos profetas de Baal de que ele (Elias) o serviria caso os clamores destes fossem atendidos por seu falso deus? Não, o propósito de Elias, certamente sob o aval de Deus, era repreender o povo israelita que, a despeito de todos os sinais que Deus já lhes havia dado desde de sua libertação da escravidão no Egito, estavam servindo a um falso Deus! [Leia o contexto e entenderá!]

Em quinto e último lugar, não há como negar que nos últimos dias (os quais já são uma realidade para nós) até mesmo Satanás teria poder quase que ilimitado para realizar sinais e prodígios para enganar os que rejeitaram o amor à verdade. Por que razão Paulo diria aos gálatas: “Mas, ainda que nós mesmos ou UM ANJO DO CÉU VOS ANUNCIE OUTRO EVANGELHO ALÉM DO QUE JÁ VOS TENHO ANUNCIADO, seja anátema” (Gálatas 1:8)? E o próprio Senhor Jesus nos adverte: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, E FARÃO TÃO GRANDES SINAIS E PRODÍGIOS QUE, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mateus 24:24). Além disso, a quem Cristo dirá abertamente naquele grande dia: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:23)? Não será àqueles que tentarão justificar-se diante Dele expondo os sinais e maravilhas que operaram em Seu nome?

O discernimento e a sobriedade parece não ter mais lugar na vida de muitos Cristãos. Mas a Bíblia nos diz que no final dos tempos seria assim (1 Timóteo 4:1; 2 Timóteo 4:3,4).

Portanto, quanto a Keller, do qual não questiono a idoneidade, pois, de fato, não o conheço, sua atitude não me parece plausível com o compromisso que cada crente deveria assumir apenas com o ide de Cristo (Marcos 16:15) e com a suficiência do Evangelho pregado com ousadia e intrepidez, pois este sim (o Evangelho), como dito antes, “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16).

Acho que Bill Keller pode estar “brincando com fogo”!

Em Cristo,

D. S. Castro.

Link para a notícia: http://noticias.gospelprime.com.br/pastor-desafio-elias-califa-estado-islamico/