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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Pai lhe prometeu isso?... Será?!



Acompanhe a ilustração:
 
Um pai, que tem dois filhos, promete a um deles, com toda boa vontade de um pai, que lhe dará um presente caso este se dedique aos estudos e passe de ano com boas notas. Ele foi enfático ao fazer a promessa, ela foi dirigida ao filho que mais o preocupava com respeito aos estudos, uma vez que o outro era extremamente dedicado. Agora reflita: Seria correto, ou mesmo justo, que o filho a quem não foi feita a promessa, exija de seu pai a recompensa por dedicar-se nos estudos? Não está em jogo aqui o amor do pai para com seus filhos, mas sua justiça. O fato de o pai haver feito uma promessa específica apenas a um dos filhos, não o torna injusto para com o outro. É uma questão de propósito. Provavelmente, o pai queria incentivar o filho menos dedicado a ser mais responsável com os estudos e, por isso, fez a promessa a ele. O mais dedicado não recebeu a promessa e, portanto, não tem o direito de exigir coisa alguma de seu pai. Se, de bom grado, o pai decidir presenteá-lo também, isso é outra questão.
 
Bem, acho que me alonguei demais na ilustração, mas vamos à questão central. Desde o início dos tempos, Deus tem feito promessas de bênçãos aos homens, algumas delas mediante a exigência de cumprir certas diretrizes por Ele definidas. A Abraão, por exemplo, [ainda Abrão à época] Ele disse: “Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1). Essa era a exigência para que Abraão e sua descendência terrena recebessem a promessa: “À tua semente darei esta terra [de Canaã]” (v. 7 – ver também Gênesis 12:2; 15:18). A Davi, fazendo ainda cumprir as promessas antes feitas aos patriarcas, o Senhor falou: “a tua descendência estabelecerei para sempre e edificarei o teu trono de geração em geração” (Salmo 89:4 – ver também 2 Samuel 7:12). Estes são exemplos de promessas específicas e terrenas feitas por Deus a homens que Ele escolheu para cumprir um propósito mais elevado: trazer ao mundo o Salvador de todos os homens. Outras promessas, contudo, foram dirigidas a toda a descendência de Abraão indistintamente, porém, sendo terrenas, não se comparam as promessas que Deus faz a Sua Igreja, que, em geral, são espirituais. Veja, por exemplo, o que está escrito em Salmo 91:16, Êxodo 23:26; Deuteronômio 28:4; Deuteronômio 28:5,8,11,13; Provérbios 3:9-10, etc., e responda: “Foram essas promessas, em sua maioria terrenas, feitas à Igreja?”. Há quem alegue que a Igreja é o “Israel espiritual” de Deus e, por isso, todas as promessas feitas ao “Israel terreno” se aplicam hoje, dizem eles, “em um sentido espiritual”, à Igreja. Qual o fundamento bíblico para tal ensino? Seria por que Abraão é chamado o “nosso Pai na fé”? Certamente, em Romanos 4:10-12, Paulo parece nos levar a essa conclusão, contudo, deduzir daí que somos o “Israel espiritual” de Deus e alvo das promessas específicas que Deus fez ao, assim chamado, “Israel terreno” é um tremendo abuso da correta exegese do texto. A Bíblia deixa claro que Deus possui um povo terreno, Israel, e um povo espiritual, a Igreja, a noiva e corpo de Seu Filho Jesus Cristo e que é composto tanto por judeus convertidos como por gentios. Estes dois povos são totalmente distintos e alvos de promessas específicas. A Israel, Deus fez promessas terrenas, pois trata-se de um povo terreno, que habitará na terra, futuramente restaurada, para sempre. Já à Igreja, por ser um povo espiritual, que estará nos céus com Cristo por toda a eternidade, Deus fez promessas de bênçãos espirituais “nas regiões celestiais” (Efésios 1:3). Além disso, por hora, as promessas feitas a Israel estão, digamos, “suspensas” por causa de sua desobediência, e não se aplicam, de modo algum à igreja, que continua sua caminha como a um peregrino nesta terra, rumo ao céu, sua verdadeira pátria. É por isso, que, de fato, nenhuma promessa de prosperidade material é feita à Igreja em toda a Escritura, mas apenas exortações como: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam” (Mateus 6:19:20); “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu...” (Mateus 19:21); “Não estejais inquietos por coisa alguma...” (Filipenses 4:6); “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (1 Timóteo 6:8), dentre outras. Apesar disso, inúmeros têm sido os abusos cometidos por grande parcela deste povo espiritual, que, quer seja por imaturidade, quer seja por cobiça e apego às coisas desta vida, inadvertidamente tomam inúmeras das promessas terrenas feitas por Deus especificamente a Israel, ou a algum personagem em especial do Antigo Testamento, e a aplicam a si mesmos sempre visando bênçãos materiais, embora aleguem que o fazem “pela fé” e em um “sentido espiritual”. Estes, de fato, vivem de bênçãos e não pela fé. À semelhança do filho a quem o pai não fez a promessa, muitos chegam até mesmo a exigir de Deus que a cumpra em suas vidas como o fez com aqueles a quem prometeu. Quanta arrogância, meu Deus! Quanta audácia! Quanta estupidez!... Com que direito e com que prerrogativa temos abusado das Escrituras, buscando satisfazer nossos próprios desejos egoístas, mascarando nossas crendices e superstições com uma pseudo-espiritualidade que não somente afronta a soberania de Deus mas torna-o um escravo de Suas próprias promessas? Não, Deus não tem nenhuma obrigação de cumprir aquilo que Ele não prometeu a você, mas a outro! Ele cumpre suas promessas, mas não podemos obrigá-Lo a prometer! E é exatamente isso que fazemos quanto tomamos, de modo inapropriado, as promessas de bênçãos que ele fez a outrem e as aplicamos em nossas vidas, como se assim Ele houvesse nos dito! Por isso, devemos sempre agir com sobriedade, buscando antes cumprir a vontade de Deus, mesmo que ouçamos Dele o que não gostaríamos de ouví-Lo dizer ao nos fazer uma promessa. Essa é a verdadeira atitude de um filho de Deus e discípulo de Cristo. Pense nisso!
 
D. S. Castro.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Perigo das Traduções Tendenciosas


Até que ponto pode ir a irresponsabilidade de um pretenso tradutor do texto sagrado, cujos louvores por sua suposta erudição no que se refere às línguas originais são como vinho suave a degustar-se por aqueles que se beneficiam dela?

Em minhas constantes pesquisas sobre as versões e traduções da Bíblia não consigo deixar de me surpreender com os disparates que, não raras vezes, encontro no produto final de vários desses projetos “iluminados” que visam recuperar o que, segundo seus proponentes, foi perdido há séculos, a saber, o texto original das Escrituras. Ontem, ao buscar uma passagem em minha Bíblia Online (Versão 2.0), um aplicativo desenvolvido sob licença da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), fiquei estarrecido com o li em Romanos 8:20, na hoje tão cegamente louvada paráfrase das Escrituras conhecida como Bíblia na Linguagem de Hoje, que em sua verão mais moderna chama-se Nova Tradução na Linguagem de Hoje. O que para alguns de mente tendenciosa ficaria muito bem como um comentário de rodapé em uma das incontáveis Bíblias de Estudo comercializadas hoje, cada uma delas editada “ao gosto do freguês”, é descaradamente inserido no corpo do texto, não apenas adulterando o seu contexto imediato e o inteiro ensino das escrituras sobre o tema, mas pervertendo o caráter e o propósito eterno de Deus para toda a criação. Veja a afronta:

Pois o Universo se tornou inútil, não pela sua própria vontade, mas porque Deus quis que fosse assim
(Romanos 8:20 – BLH – ênfase acrescentada).

Deus QUIS que o Universo se tornasse INÚTIL?!!!!

(Continua)...

Ensaio: A Questão do Dízimo

Dizimar segundo a Lei ou contribuir segundo a Graça?

 
 Experimente propor a um dito “dizimista fiel” a distribuição do “dízimo” que, segundo ele, é consagrado ao Senhor – como se não fora toda a vida do verdadeiro crente – entre os mais desafortunados de sua “igreja”, consciente de que sua atitude não resultará em qualquer ônus aos cofres de sua denominação. A grande maioria, provavelmente responderá algo como: “Não, o dízimo é do Senhor! É um mandamento, uma prova de minha fidelidade! Posso muito bem cumprir o proposto sem lançar mão do que é consagrado a Deus! Não posso roubar o Senhor!”. E não será surpresa se ele citar a tão famosa pedra angular da doutrina “old-testamentária” – Malaquias 3:16. Com todo respeito, tal atitude demonstra claramente uma completa, imatura e perigosa dependência de algo que a Bíblia não impõe a nenhum cristão! O dízimo é bíblico? Sim, é bíblico. Mas não é para a Igreja! E nem poderia ser! O dízimo, tal qual a circuncisão, a primogenitura, o levirato, a guarda de dias, etc., pertencem à lei dada por Deus a Israel. Pergunto: Vivemos ainda na dispensação da lei? Foi a lei totalmente abolida, ou teria sido apenas parcialmente? Seria a “lei” de Cristo – a graça – uma extensão ou um remendo da lei mosaica? Não, a graça é algo novo, sem qualquer relação com a lei (Mateus 9:16; Marcos 2:21). Por que aqueles que defendem o dízimo como obrigatório à Igreja, não praticam, ou cumprem, também os demais pontos da lei? Sim, pois certamente a falha em cumprir um de seus pontos, acarreta ao faltoso a culpa por infringir toda a lei (Tiago 2:10).
 
Na tentativa de defender a validade – e obrigatoriedade – do dízimo para o cristão, costuma-se recorrer a divagações e especulações das mais diversas, algumas até justas e imbuídas de princípios louváveis de reconhecimento da bondade de Deus para conosco e da generosidade para com nossos irmãos na fé, sobretudo para com os que se dedicam exclusivamente à assembleia dos santos. Contudo, cabe aqui a pergunta: O que nos ensina o Novo Testamento sobre as questões da contribuição em assembleia não seria suficiente para manter o pleno funcionamento do corpo de Cristo? Em I Coríntios 9:7, Paulo nos recomenda [ele não nos impõe]: Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. Certamente, vemos aqui uma responsabilidade de cada crente em amparar a Casa de Deus, Sua Igreja, Seu Corpo e não o Templo, a Casa do Tesouro, que já não existem mais, e nunca foi uma realidade para a Igreja de Cristo [composta tanto por judeus quanto gentios]. Porém, essa responsabilidade não é imposta por ditames legais e nada tem a ver com a prática do dízimo, pertencente ao Antigo Testamento e requerida apenas para Israel.
 
Há ainda aqueles que, mediante argumentações falaciosas e sem qualquer fundamento bíblico, recorrem a 1 Coríntios 16:2 associando-o à caduca prática do dízimo. Vejamos o que diz o texto: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que, por cartas, aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém”. Lançando mão da expressão “conforme a sua prosperidade” se apressam a declarar os que se contorcem para defender a validade do dízimo para a Igreja: “Vejam, irmãos! Paulo está nos ensinando o princípio do dízimo, pois nada é mais justo do que contribuir conforme a sua prosperidade!”. Confesso que por vezes, eu, quando preso a esse dogma por achar que estava honrando a Deus, racionava, como muitos, da seguinte forma: “Qualquer que seja a sua renda, Deus requer apenas os ‘10% que Lhe pertencem’. O que pode ser mais justo do que isso?”. Como matemático que sou por formação, eu ainda assinava em embaixo, dizendo: “De fato é justo!”. Mas divagações ou especulações não estabelecem verdades. Voltando ao texto, vejamos: Será que o fato de Paulo haver dito “conforme a sua prosperidade” restringe a contribuição à décima parte dos rendimentos do contribuinte? Não creio! Paulo não está nem mesmo pedindo emprestado do Antigo Testamento qualquer suposto tipo ali presente e que remeta à prática que aqui ele recomenda [não impõe] aos coríntios, como o fez em outras ocasiões. Uma outra pergunta, que faço com toda a honestidade possível é: Quem nomeou como sacerdotes levitas [se é que isso era possível] o apóstolo Paulo ou seus representantes, os quais eram responsáveis por receber o suposto “dízimo” dos coríntios e levá-los a Jerusalém? Aliás, todos sabemos que o Templo israelita ficava em Jerusalém, mas pergunto: Estaria Paulo levando o tal “dízimo” às autoridades no Templo? E o que dizer de sua destruição no ano 70 d.C.? Onde o “dízimo” passou a ser entregue?
 
De fato, não há como relacionar a prática do dízimo à vida e piedade cristã. Nem como princípio! Não necessitamos de “remendos velhos em pano novo”. A “lei” da graça é maior, e é perfeita! Devemos reconhecer que as únicas razões pelas quais esta “doutrina” mosaica ainda é praticada e, por que não dizer, imposta a muitos ainda hoje, e totalmente fora de seu contexto específico, são a avareza de muitos daqueles que supostamente são tidos como os sucessores dos levitas, o que não se sustenta à luz das Escrituras, e a ideia de que a assembleia não cumprirá com sua responsabilidade de amparar os que obram por ela se isto não lhe for exigido “legalmente” ou sem que haja o mínimo de coação para que o façam.
 
Finalizando, pergunto: É o dízimo anterior à lei? E se for, isso o tornaria uma prática obrigatória e necessária à Igreja? Quais os pressupostos? Essas e outras questões, se possível, ainda serão tratadas mais adiante!
 
Rascunho de ensaio sobre o dízimo - (Ainda não concluído!)
D. S. Castro.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Fora do Arraial

Leitura: Hebreus 13:17
 
“Saiamos, pois, a ele [a Cristo], fora do arraial, levando o seu vitupério”.
 
Para muitos cristãos ainda associados a algum dos incontáveis sistemas denominacionais existentes hoje na cristandade, não parece muito clara a ideia de como alguém que também se diz cristão possa não pertencer a nenhuma dessas associações. Erroneamente, alguns creem que se uma pessoa não faz parte de um grupo específico de cristãos, devidamente identificado por uma espécie de “rótulo ministerial” – os assim chamados “ministérios denominacionais” – essa tal pessoa não está, de fato, vinculada a Cristo, pois não há qualquer menção nas Escrituras – afirmam os que defendem essa ideia – de que um cristão possa viver “isolado”.
 
Primeiramente, é importante deixar claro que toda essa confusão existente hoje na cristandade com respeito às inúmeras facções, partidos, seitas e denominações cristãs, com seus incontáveis ministérios e subdivisões, não tem qualquer respaldo ou fundamento bíblico e, embora Deus, por sua longanimidade para com o Seu povo – os santos, a Igreja – continue tolerando esses e outros abusos da carnal insensatez humana, Ele jamais aprovou a persistente afronta daqueles que insistem em manter-se partidários desses sistemas, mesmo depois – o que lhes agrava ainda mais a culpa – de terem sido confrontados com o mais claro e genuíno ensino das Escrituras expondo e condenando todo o erro por detrás desses sistemas ou ordens puramente humanas impostas sobre os membros do corpo de Cristo. É incontestável, por exemplo, pelo próprio contexto, a aplicação de 2 Coríntios 1:12 e 3:4 à enorme e lamentável confusão tão presente hoje no meio da cristandade. A mesma carnalidade que deu origem as divisões entre os coríntios, tem sido a causa das inúmeras divisões que por séculos têm afligido a Igreja de Cristo. Nenhuma denominação, seita ou partido cristão está isento, portanto, da culpa por este pecado, ainda que com as melhores intenções tenham elas sido estabelecidas por homens piedosos e tementes a Deus, mas que fracassaram – alguns por ignorância, outros por omissão – em dar este lamentável passo em direção contrária à perfeita vontade de Deus para o Seu povo, fomentando ainda mais este triste erro secular que nos tem privado da mais plena e genuína comunhão que deveria haver entre todos os membros do corpo de Cristo à semelhança do que será no céu (Mateus 6:10).
 
Em segundo lugar, aqueles que decidiram separar-se de toda essa confusão, cientes da desonra e do triste testemunho para o mundo que toda essa ordem humana tem trazido ao santo nome de Cristo, não o fizeram por que desejaram “isolar-se” como pode parecer aos que não têm tido a coragem necessária para pôr em prática aquilo que a Palavra de Deus estabelece como Sua perfeita vontade para os que desejam cumpri-la. Aliás, Deus está disposto a revelar Sua perfeita vontade, mas apenas aos que desejam pô-la em prática, e não àqueles que apenas desejam conhecê-la (João 7:17). Querer ‘conhecer’ não é suficiente, é preciso querer ‘fazer’! Em 2 Timóteo 2:20, ao apresentar a cristandade como uma ‘grande casa’ Paulo nos instrui a nos ‘purificarmos destas coisas’, para que sejamos ‘vasos para honra’. De que coisas devemos nos purificar? Certamente de tudo aquilo que desonra o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, o que inclui toda esta confusão causada pelos ‘vasos de desonra’ também presentes na grande casa. Paulo nos diz ainda que somente um ‘vaso de honra’ está preparado para ‘toda boa obra’. Pergunto: Algum membro do corpo de Cristo, associado a um grupo cristão em particular poderá, em todos os aspectos, ter plena liberdade para tratar com os membros do corpo do Senhor atrelados a outro grupo distinto? Não creio que ele tenha essa liberdade e, portanto, em seu testemunho cristão ele não estará assim preparado para TODA boa obra que o Senhor queira usá-lo. ‘Purificar-se destas coisas’ significa, portanto, ‘separar-se’ da desordem presente na grande casa, contudo não para viver “isolado”, pois de fato a Bíblia não nos recomenda isto, embora em circunstâncias extremas não exista outra saída para os que querem cumprir a vontade de Deus e viver para a Sua glória. A Bíblia e a própria história registram incontáveis exemplos de homens que se levantaram contra tudo aquilo que desonrava o santo nome do Senhor e que, por isso, foram perseguidos, desprezados, e até mesmo torturados e mortos por decidirem não tomar parte naquilo que suas consciências expunham como um agravo à santidade que Deus requer de Seu povo. Eles pagaram um alto preço por decidirem ‘separar-se’ do erro. Quantos hoje estão dispostos a pagar esse preço e a mostrar que o ‘nascer de novo’ é uma questão de ‘natureza’ e não de afiliação a uma instituição ou ordem humana? Quantos?
 
Finalmente, a passagem da leitura (Hebreus 13:17) nos conclama a sairmos do que hoje poderíamos chamar de “arraial” da cristandade, com todos os seus ofícios e tradições, muito semelhantes ao que se via no arraial do judaísmo, e a sofrer o vitupério, isto é, a desonra que Cristo sofreu por romper com tudo aquilo que Sua morte na cruz anulou definitivamente. Contudo, devemos estar cientes de que assim como Cristo não recebeu a honra dos homens ao romper com aquelas tradições, também não receberão o louvor dos homens àqueles que decidirem separar-se desta confusão no atual “arraial” da cristandade. Pense nisso!
 
D. S. Castro.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O Contraste entre o “UM SÓ CORPO” e as muitas seitas e divisões

[...]
 
Apesar do desejo do Senhor para que o Seu povo expressasse uma unidade coesa, visível e prática neste mundo, estamos todos divididos em diferentes seitas – cada uma com suas próprias crenças e práticas peculiares à sua própria seita. Como poderia algo assim ter a aprovação do Senhor?
 
Diante dos primeiros indícios de divisão na igreja primitiva, o apóstolo Paulo foi dirigido pelo Espírito a escrever “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões... cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido?” (1 Co 1:10-13; 12:25). Aqui, na linguagem mais clara possível, Paulo roga em nome de Deus a todos os crentes, pela glória do Nome do Senhor Jesus, que não tenham divisões! Todavia, quando olhamos ao redor no cristianismo professo de nossos dias, vemos que aquilo que as Escrituras denunciavam aconteceu à igreja! Quantos milhares de cristãos estão dizendo “Eu sou de Roma” (Católica Romana), “Eu sou de Lutero” (Luterana), “Eu sou de Wesley” (Metodista), “Eu sou de Menno Simons” (Menonitas) etc. Se outrora entristecia ao Espírito escutar cristãos dizendo “Eu sou de Paulo” e “Eu sou de Apolo”, etc., será que agora agrada ao Espírito ouvi-los dizer “Eu sou de Lutero”, “Eu sou de Wesley”, etc.? Se naqueles dias do princípio da igreja isso foi denunciado como carnalidade, poderia a mesma coisa ser hoje chamada de espiritualidade? (1 Co 3:1-5). As muitas denominações colocaram de lado a ordem de Deus para a adoração e o ministério, e também para o governo da igreja, e estabeleceram uma ordem própria, completa, com todos os seus credos e regulamentos eclesiásticos. E, ao agir assim, criaram uma triste divisão na igreja [...]

Pense nisso!


[Trecho da obra "A Ordem de Deus", de Bruce Anstey. Tradução: Mário Persona]

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Examinai as ESCRITURAS!

Texto bíblico: João 5:39


Em que medida ou com que frequência você que se diz cristão costuma ‘conferir’ nas Escrituras tudo aquilo que seus líderes apresentam a você como a verdade do evangelho? Os cristãos de Beréia costumavam fazer isso com tanta avidez que são apresentados por Lucas como “mais ‘nobres’ que os cristãos de Tessalônica” (Atos 17:11).
 
Seus líderes lhe instruem a confrontar aquilo que ensinam com a Palavra de Deus? Você costuma fazer isso? O falso ensino de que somente alguns têm recebido de Deus a “capacidade” e o “direito” de interpretar as Escrituras é ainda uma ideia muito difundida entre alguns grupos cristãos, porém tal ensino não se sustenta à luz de um minucioso exame da própria Escritura, que por vezes nos conclama a examiná-la com sobriedade, sempre buscando nela o discernimento necessário à nossa prática cristã.
 
Ademais, a salvação eterna é algo muito sério para que a deixemos nas mãos de homens tão falhos quanto nós, e a Bíblia não nos recomenda isso. Somos instados a nos conduzir por seus estatutos [os da Bíblia – a infalível Palavra de Deus] e não pela tradição e ensinos particulares de homens cujo único interesse em promover a particular e exclusiva interpretação das Escrituras pelo chamado “clero” é manter os ditos “leigos” em total submissão a eles [Um ensino muito conveniente para o tal “clero”, por sinal!].
 
Além disso, todos nós temos a capacidade de compreender a mensagem das Escrituras se nos dispusermos a ouvir a voz de seu único intérprete por excelência, a saber, o Espírito Santo de Deus, pois é Ele quem, através das Escrituras, convence “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8).
 
Conquanto muitos, por conveniência, têm preferido receber tudo, digamos, “mastigado” de seus líderes sem se dar ao trabalho de verificar “se as coisas [são], de fato, assim” e, por tal atitude insensata, acabam depositando neles [em seus próprios líderes] a esperança de seu destino eterno, nós, como genuínos discípulos de Cristo, devemos examinar prudentemente à luz das Escrituras tudo aquilo que nos é apresentado como ‘biblicamente fundamentado’, pois se assim o for, assim se revelará pela própria Palavra!
 
O fato final e crucial é, portanto, que NINGUÉM, uma vez confrontado com a sua total responsabilidade de examinar as Escrituras em busca da verdade, poderá ‘NAQUELE DIA’, em que multidões estarão diante de Deus para receber sua sentença, alegar diante Dele que foi enganado por seus líderes, pois a Palavra de Deus nos foi dada por Ele para que a tudo examinemos e julguemos por meio dela e para que por ela vivamos; e uma vez que isso seja feito, ela estará sempre pronta a revelar-nos, por intermédio do Santo Espírito de Deus, todos os Seus eternos desígnios que, por sinal, são revelados somente aos simples (Mateus 11:25) e jamais aos soberbos e presunçosos, ‘embebecidos’ por sua tradição (Marcos 7:8; Colossenses 2:8; Tiago 4:6; 1 Pedro 5:5); e a tantos quantos, com sinceridade de coração, assumirem essa responsabilidade que nos cabe de buscar conhecê-Lo [a Deus] por intermédio de Sua Santa Palavra, Deus diz: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39).
 
Sua indisposição em buscar a verdade nas Escrituras, acreditando cegamente já tê-la recebido pela “boca” de alguém ou por intermédio das tradições e ensinos de homens, sem ao menos confrontá-los com o claro ensino da Palavra de Deus, poderá, lamentavelmente, ser a sua sentença de morte... e de MORTE ETERNA! Afinal... como dito antes, ‘ninguém poderá se justificar diante de Deus alegando ter sido enganado por outrem, mas cada um dará conta de si mesmo a Ele’ (Romanos 14:12). Pense nisso!
 
D. S. Castro.

domingo, 16 de junho de 2013

DENOMINACIONALISMO: UMA ORDEM DE DEUS OU DO HOMEM?

Todos os cristãos, em maior ou menor medida, buscam na Palavra de Deus (a Bíblia) o caminho da salvação, mas parece que são muito poucos os que, após terem sido salvos, buscam na Palavra para saber como o Senhor gostaria que se reunissem para a adoração e o ministério da Palavra. Apesar de todos acreditarem que só existe uma forma de serem salvos, muitos consideram que deve ficar a critério de cada um escolher como devem adorar. No cristianismo de nossos dias, parece que os cristãos estão agindo como os filhos de Israel no tempo dos Juízes: Cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos(Jz 17:6; 21:25; Dt 12:8; Pv 21:2). Como resultado disso, existe hoje uma imensa variedade de opiniões sobre a adoração cristã, e boa parte conflitante entre si. Ao longo dos anos a maioria dos cristãos tem adorado cada um à sua maneira ou segundo um estilo peculiar às suas preferências pessoais e afiliação denominacional.
 
Por gerações os cristãos têm literalmente aceitado o que a tradição legou à igreja sem questionar. Na verdade, a maioria acha que é assim que Deus quer que seja. Será que Deus se importa com a maneira como o Seu povo O adora, ou o modo como se reúnem para o ministério da Palavra? Será que Ele tem uma opinião a respeito deste assunto? Já é hora de voltarmos aos fundamentos do cristianismo e buscarmos novamente nas Escrituras o que Deus tem a dizer sobre o assunto da ordem na igreja. Já que ela é a “igreja de Deus” (At 20:28), certamente Ele deve ter algo a dizer sobre o modo como os cristãos devem adorar. Cremos que o padrão para a adoração cristã e o ministério da Palavra, e também para o governo da igreja, estejam na Bíblia, mas parece que a maioria dos cristãos perdeu isto de vista.
 
Já que devemos estar sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em [nós](1 Pd 3:15), precisamos ser capazes de dar uma resposta vinda da Palavra de Deus quanto à razão de adorarmos do jeito que o fazemos. Sendo assim, será que podemos apontar a autoridade das Escrituras para o modo como nos reunimos como cristãos para a adoração e o ministério da Palavra? Ou será que estamos apenas seguindo as tradições dos homens?
 
Pense nisso!
 
[Trecho da obra “A Ordem de Deus”, de Bruce Anstey, traduzido por Mário Persona e publicado por Verdades Vivas]