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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Se você se cala, você é cúmplice!

 
Em alguns círculos evangélicos, a subordinação quase cega ao “clero” estabelecido é algumas vezes temperada com as bajulações interesseiras daqueles que querem galgar mais alguns degraus da hierarquia, alimentando assim o corrupto “organismo” criado para manter os autoproclamados “iluminados de Deus” em posição de suprema autoridade sobre os “leigos”, que devem, por sua vez, render honras e louvor àqueles que “zelam” por eles, dizem. O mais lamentável é que tudo isso é dito ter a “aprovação de Deus” e aqueles que não se submetem são frequentemente acusados de insubordinação, rebeldia, chegando até mesmo às vias da “excomunhão” dos que contradizem as determinações quase divinas do dito “clero”. Qual o fundamento bíblico para um sistema tão infame e deplorável que apenas tem trazido vergonha e escândalo para o evangelho promovendo toda sorte de pecado, desde a cobiça e a sede pelo poder, às intrigas e “picuinhas” para as quais muitos fecham os olhos por conveniência e ainda vêm com desculpas do tipo: “Isso acontece em todo lugar!”, “Deus lidará com os que procedem assim!”, “Só podemos orar e entregar nas mãos de Deus!”, etc., ao passo que não movem “uma palha” no sentido de exortar, repreender e confrontar “os que assim procedem” com as suas próprias faltas, e isso à luz da Palavra de Deus! E quando se trata de exortar, repreender e confrontar as ditas “autoridades eclesiásticas”, “Nem pensar”, dizem, “Quem sou eu para me levantar contra o ‘ungido de Deus!’”. Mas, pergunto: Não é isso que deveríamos fazer? A Bíblia claramente diz que sim, e em Paulo, temos um claro exemplo disso. Não foi o que ele fez a Pedro, o apóstolo? (Gálatas 2:11) Será que o apostolado de Pedro inibiu Paulo de repreendê-lo vigorosamente? E você, até quando engolirá calado tanta mentira, engano, falcatrua, corrupção e toda espécie de pecado de seus “líderes”? Podemos até confrontar os outros com desculpas “furadas” para justificar nosso posicionamento quanto a isso, mas não podemos calar a voz do Espírito Santo que fala à nossa própria consciência e muito menos poderemos nos justificar perante Deus alegando que não podíamos fazer nada e que só “podíamos orar”! Você teria a petulância de se justificar desse modo diante de Deus?! Os profetas no Antigo Testamento confrontaram até reis, e você, porque não consegue confrontar seus “líderes”? Há meios de fazer isso, sem ser grosseiro ou arrogante, mas não venha com a desculpa de que não pode! A quem é dirigida a recomendação: “[não] participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (1 Timóteo 5:22)? Se você se cala, você é cúmplice! Pense nisso!
 
D. S. Castro.

sábado, 5 de outubro de 2013

A Presunção da Salvação pelas Obras

Por D. S. Castro.


Não há maior presunção do que achar que nossas obras de justiça nos garantem o direito à salvação. Nosso bom senso nos diz que nenhum pai estaria agindo corretamente ao prometer ao seu filho, como presente de natal, uma bicicleta, por exemplo, caso a criança passe de ano com uma boa média escolar ou se comporte de acordo com suas expectativas [com as expectativas do pai]. Contudo, alguns creem que Deus nos recompensará com um “lugarzinho” no paraíso caso sejamos “bonzinhos” neste mundo. Em outras palavras, se “nos comportarmos bem”, o que significa respeitar nossos semelhantes, sermos honestos, piedosos, caridosos, bem intencionados em nossas relações interpessoais, em suma, se fizermos tudo o que um “bom religioso” faz, teremos o direito, ainda que em parte, a um “merecido” prêmio do “papai do céu”, que muito se alegrará em nos recompensar por termos sido “bons meninos”.
 
Continuando com nossa analogia, imagine que o filho ao qual foi prometido pelo pai o presente mencionado – mesmo sabendo ele [o pai] que sua atitude é prejudicial à formação moral da criança – cumpra com o que o tal exigira dele. Certamente, ninguém poderá contestar que o filho pôs seu pai em obrigação para com ele, isto é, o pai passou a estar em débito para com seu filho e deverá cumprir sua obrigação.
 
Agora pergunto: Será que podemos pôr a Deus em obrigação para conosco? Seria possível ao homem fazer de Deus seu devedor?
 
Primeiramente, devemos atentar para o fato de que assim como o pai, moral e eticamente falando, nada estaria ensinando de bom a seu filho ao recompensá-lo por cumprir as exigências estabelecidas por ele [pelo pai], não podemos concluir que Deus esteja querendo nos fazer pessoas melhores prometendo-nos o céu, caso nos comportemos nesta terra segundo os seus padrões. De fato, Deus não faz isso. Além disso, uma salvação como recompensa pelo bom proceder somente produziria interesse e arrogância por parte dos homens, que inevitavelmente seriam movidos a viver segundo o que Deus exige por pura conveniência.
 
Em segundo lugar, Deus já havia tratado desse modo com o homem nos tempos da Lei, mas não para lhe garantir salvação, e sim para mostrar-lhe a impossibilidade do homem em, de fato, cumprir os padrões que Ele exige.  Ninguém poderia ser justificado pela Lei, e Deus precisava mostrar-nos isto. Nossas obras de justiça são trapos de imundície (Isaías 64:6) e não nos poderão salvar. Nossa única chance é atentarmos para Cristo e para sua promessa de que todo aquele que Nele crê será salvo.
 
Portanto, em contraste com a salvação pelas obras, não há qualquer presunção em nos declararmos salvos, se realmente cremos em Cristo e em sua promessa de salvação eterna. A salvação é, portanto, um presente da graça de Deus a todo aquele que crê em Cristo. E como lemos em Efésios 2:8-10: “se é pela fé, já não é por obras”.
 
Finalmente, todos nós sambemos quem disse estas palavras: “Aquele que crê em mim, tem a vida eterna”. E esta verdade se cumpriu até mesmo na vida do ladrão à esquerda de Cristo na cruz quando, em resposta a seu apelo Ele disse: “hoje estarás comigo no Paraíso”. Teria ele tido tempo e ocasião de mostrar suas obras de justiça, as quais – segundo os que defendem a salvação pelas obras – deveriam supostamente garantir-lhe o direito à salvação? Paulo também estabelece um claro contraste entre a graça e as obras ao afirmar: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gálatas 5:4). Portanto, nada do que fazemos ou deixamos de fazer nos dará qualquer garantia de salvação, mas somente a genuína fé em Cristo nos pode salvar. As obras são os frutos dessa fé salvífica, para que testemunhemos ao mundo que somos, de fato, novas criaturas em Cristo. “Não devemos colocar a carroça na frente dos bois”. Pense nisso!

domingo, 8 de setembro de 2013

Falácia, falácia...


Darwin disse: A ignorância gera confiança com mais frequência do que o conhecimento.
 
Onde está a falácia aqui?

Primeiramente, devemos perguntar: A que Darwin se refere por ignorância? Seria àquilo que, segundo sua própria visão, está relacionado ao “saber comum” e “não científico”? Ou talvez, às argumentações religiosas que negavam sua visão particular e deveras extravagante acerca da origem? Bem, seja qual for o contexto da declaração acima, a ele atribuída, devemos lembrar que todo e qualquer saber constitui o que entendemos por conhecimento, quer seja “comum” (popular, religioso, filosófico, etc.), quer seja “científico”. Portanto, nesse sentido, ninguém pode ser tomado por ignorante [apenas nesse sentido!].
 
Em segundo lugar, Darwin, ao se referir aqui ao conhecimento, certamente procura restringi-lo ao saber científico, mas erra por aplicar tal definição à sua cosmovisão específica, que, notadamente, carece de provas experimentais. De fato, sua tão amplamente aceita teoria macro-evolutiva não possui qualquer comprovação científica, mas trata-se de uma visão puramente e particularmente fundamentada na simples observação da natureza e, em nada, portanto, essencialmente distinta de qualquer outro saber “comum”.
 
Por fim, devemos estar cientes de que a lógica é imparcial e “não perdoa”. Nenhuma declaração ou argumentação falaciosa resiste a um simples exercício do correto e puro raciocínio lógico. Portanto, diante de tal afirmação, poderíamos honestamente perguntar ao senhor Darwin: “Sr. Darwin, suponho que o Senhor esteja confiante disso?
 
D. S. Castro.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O Pai lhe prometeu isso?... Será?!



Acompanhe a ilustração:
 
Um pai, que tem dois filhos, promete a um deles, com toda boa vontade de um pai, que lhe dará um presente caso este se dedique aos estudos e passe de ano com boas notas. Ele foi enfático ao fazer a promessa, ela foi dirigida ao filho que mais o preocupava com respeito aos estudos, uma vez que o outro era extremamente dedicado. Agora reflita: Seria correto, ou mesmo justo, que o filho a quem não foi feita a promessa, exija de seu pai a recompensa por dedicar-se nos estudos? Não está em jogo aqui o amor do pai para com seus filhos, mas sua justiça. O fato de o pai haver feito uma promessa específica apenas a um dos filhos, não o torna injusto para com o outro. É uma questão de propósito. Provavelmente, o pai queria incentivar o filho menos dedicado a ser mais responsável com os estudos e, por isso, fez a promessa a ele. O mais dedicado não recebeu a promessa e, portanto, não tem o direito de exigir coisa alguma de seu pai. Se, de bom grado, o pai decidir presenteá-lo também, isso é outra questão.
 
Bem, acho que me alonguei demais na ilustração, mas vamos à questão central. Desde o início dos tempos, Deus tem feito promessas de bênçãos aos homens, algumas delas mediante a exigência de cumprir certas diretrizes por Ele definidas. A Abraão, por exemplo, [ainda Abrão à época] Ele disse: “Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1). Essa era a exigência para que Abraão e sua descendência terrena recebessem a promessa: “À tua semente darei esta terra [de Canaã]” (v. 7 – ver também Gênesis 12:2; 15:18). A Davi, fazendo ainda cumprir as promessas antes feitas aos patriarcas, o Senhor falou: “a tua descendência estabelecerei para sempre e edificarei o teu trono de geração em geração” (Salmo 89:4 – ver também 2 Samuel 7:12). Estes são exemplos de promessas específicas e terrenas feitas por Deus a homens que Ele escolheu para cumprir um propósito mais elevado: trazer ao mundo o Salvador de todos os homens. Outras promessas, contudo, foram dirigidas a toda a descendência de Abraão indistintamente, porém, sendo terrenas, não se comparam as promessas que Deus faz a Sua Igreja, que, em geral, são espirituais. Veja, por exemplo, o que está escrito em Salmo 91:16, Êxodo 23:26; Deuteronômio 28:4; Deuteronômio 28:5,8,11,13; Provérbios 3:9-10, etc., e responda: “Foram essas promessas, em sua maioria terrenas, feitas à Igreja?”. Há quem alegue que a Igreja é o “Israel espiritual” de Deus e, por isso, todas as promessas feitas ao “Israel terreno” se aplicam hoje, dizem eles, “em um sentido espiritual”, à Igreja. Qual o fundamento bíblico para tal ensino? Seria por que Abraão é chamado o “nosso Pai na fé”? Certamente, em Romanos 4:10-12, Paulo parece nos levar a essa conclusão, contudo, deduzir daí que somos o “Israel espiritual” de Deus e alvo das promessas específicas que Deus fez ao, assim chamado, “Israel terreno” é um tremendo abuso da correta exegese do texto. A Bíblia deixa claro que Deus possui um povo terreno, Israel, e um povo espiritual, a Igreja, a noiva e corpo de Seu Filho Jesus Cristo e que é composto tanto por judeus convertidos como por gentios. Estes dois povos são totalmente distintos e alvos de promessas específicas. A Israel, Deus fez promessas terrenas, pois trata-se de um povo terreno, que habitará na terra, futuramente restaurada, para sempre. Já à Igreja, por ser um povo espiritual, que estará nos céus com Cristo por toda a eternidade, Deus fez promessas de bênçãos espirituais “nas regiões celestiais” (Efésios 1:3). Além disso, por hora, as promessas feitas a Israel estão, digamos, “suspensas” por causa de sua desobediência, e não se aplicam, de modo algum à igreja, que continua sua caminha como a um peregrino nesta terra, rumo ao céu, sua verdadeira pátria. É por isso, que, de fato, nenhuma promessa de prosperidade material é feita à Igreja em toda a Escritura, mas apenas exortações como: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam” (Mateus 6:19:20); “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu...” (Mateus 19:21); “Não estejais inquietos por coisa alguma...” (Filipenses 4:6); “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (1 Timóteo 6:8), dentre outras. Apesar disso, inúmeros têm sido os abusos cometidos por grande parcela deste povo espiritual, que, quer seja por imaturidade, quer seja por cobiça e apego às coisas desta vida, inadvertidamente tomam inúmeras das promessas terrenas feitas por Deus especificamente a Israel, ou a algum personagem em especial do Antigo Testamento, e a aplicam a si mesmos sempre visando bênçãos materiais, embora aleguem que o fazem “pela fé” e em um “sentido espiritual”. Estes, de fato, vivem de bênçãos e não pela fé. À semelhança do filho a quem o pai não fez a promessa, muitos chegam até mesmo a exigir de Deus que a cumpra em suas vidas como o fez com aqueles a quem prometeu. Quanta arrogância, meu Deus! Quanta audácia! Quanta estupidez!... Com que direito e com que prerrogativa temos abusado das Escrituras, buscando satisfazer nossos próprios desejos egoístas, mascarando nossas crendices e superstições com uma pseudo-espiritualidade que não somente afronta a soberania de Deus mas torna-o um escravo de Suas próprias promessas? Não, Deus não tem nenhuma obrigação de cumprir aquilo que Ele não prometeu a você, mas a outro! Ele cumpre suas promessas, mas não podemos obrigá-Lo a prometer! E é exatamente isso que fazemos quanto tomamos, de modo inapropriado, as promessas de bênçãos que ele fez a outrem e as aplicamos em nossas vidas, como se assim Ele houvesse nos dito! Por isso, devemos sempre agir com sobriedade, buscando antes cumprir a vontade de Deus, mesmo que ouçamos Dele o que não gostaríamos de ouví-Lo dizer ao nos fazer uma promessa. Essa é a verdadeira atitude de um filho de Deus e discípulo de Cristo. Pense nisso!
 
D. S. Castro.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Perigo das Traduções Tendenciosas


Até que ponto pode ir a irresponsabilidade de um pretenso tradutor do texto sagrado, cujos louvores por sua suposta erudição no que se refere às línguas originais são como vinho suave a degustar-se por aqueles que se beneficiam dela?

Em minhas constantes pesquisas sobre as versões e traduções da Bíblia não consigo deixar de me surpreender com os disparates que, não raras vezes, encontro no produto final de vários desses projetos “iluminados” que visam recuperar o que, segundo seus proponentes, foi perdido há séculos, a saber, o texto original das Escrituras. Ontem, ao buscar uma passagem em minha Bíblia Online (Versão 2.0), um aplicativo desenvolvido sob licença da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), fiquei estarrecido com o li em Romanos 8:20, na hoje tão cegamente louvada paráfrase das Escrituras conhecida como Bíblia na Linguagem de Hoje, que em sua verão mais moderna chama-se Nova Tradução na Linguagem de Hoje. O que para alguns de mente tendenciosa ficaria muito bem como um comentário de rodapé em uma das incontáveis Bíblias de Estudo comercializadas hoje, cada uma delas editada “ao gosto do freguês”, é descaradamente inserido no corpo do texto, não apenas adulterando o seu contexto imediato e o inteiro ensino das escrituras sobre o tema, mas pervertendo o caráter e o propósito eterno de Deus para toda a criação. Veja a afronta:

Pois o Universo se tornou inútil, não pela sua própria vontade, mas porque Deus quis que fosse assim
(Romanos 8:20 – BLH – ênfase acrescentada).

Deus QUIS que o Universo se tornasse INÚTIL?!!!!

(Continua)...

Ensaio: A Questão do Dízimo

Dizimar segundo a Lei ou contribuir segundo a Graça?

 
 Experimente propor a um dito “dizimista fiel” a distribuição do “dízimo” que, segundo ele, é consagrado ao Senhor – como se não fora toda a vida do verdadeiro crente – entre os mais desafortunados de sua “igreja”, consciente de que sua atitude não resultará em qualquer ônus aos cofres de sua denominação. A grande maioria, provavelmente responderá algo como: “Não, o dízimo é do Senhor! É um mandamento, uma prova de minha fidelidade! Posso muito bem cumprir o proposto sem lançar mão do que é consagrado a Deus! Não posso roubar o Senhor!”. E não será surpresa se ele citar a tão famosa pedra angular da doutrina “old-testamentária” – Malaquias 3:16. Com todo respeito, tal atitude demonstra claramente uma completa, imatura e perigosa dependência de algo que a Bíblia não impõe a nenhum cristão! O dízimo é bíblico? Sim, é bíblico. Mas não é para a Igreja! E nem poderia ser! O dízimo, tal qual a circuncisão, a primogenitura, o levirato, a guarda de dias, etc., pertencem à lei dada por Deus a Israel. Pergunto: Vivemos ainda na dispensação da lei? Foi a lei totalmente abolida, ou teria sido apenas parcialmente? Seria a “lei” de Cristo – a graça – uma extensão ou um remendo da lei mosaica? Não, a graça é algo novo, sem qualquer relação com a lei (Mateus 9:16; Marcos 2:21). Por que aqueles que defendem o dízimo como obrigatório à Igreja, não praticam, ou cumprem, também os demais pontos da lei? Sim, pois certamente a falha em cumprir um de seus pontos, acarreta ao faltoso a culpa por infringir toda a lei (Tiago 2:10).
 
Na tentativa de defender a validade – e obrigatoriedade – do dízimo para o cristão, costuma-se recorrer a divagações e especulações das mais diversas, algumas até justas e imbuídas de princípios louváveis de reconhecimento da bondade de Deus para conosco e da generosidade para com nossos irmãos na fé, sobretudo para com os que se dedicam exclusivamente à assembleia dos santos. Contudo, cabe aqui a pergunta: O que nos ensina o Novo Testamento sobre as questões da contribuição em assembleia não seria suficiente para manter o pleno funcionamento do corpo de Cristo? Em I Coríntios 9:7, Paulo nos recomenda [ele não nos impõe]: Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. Certamente, vemos aqui uma responsabilidade de cada crente em amparar a Casa de Deus, Sua Igreja, Seu Corpo e não o Templo, a Casa do Tesouro, que já não existem mais, e nunca foi uma realidade para a Igreja de Cristo [composta tanto por judeus quanto gentios]. Porém, essa responsabilidade não é imposta por ditames legais e nada tem a ver com a prática do dízimo, pertencente ao Antigo Testamento e requerida apenas para Israel.
 
Há ainda aqueles que, mediante argumentações falaciosas e sem qualquer fundamento bíblico, recorrem a 1 Coríntios 16:2 associando-o à caduca prática do dízimo. Vejamos o que diz o texto: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que, por cartas, aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém”. Lançando mão da expressão “conforme a sua prosperidade” se apressam a declarar os que se contorcem para defender a validade do dízimo para a Igreja: “Vejam, irmãos! Paulo está nos ensinando o princípio do dízimo, pois nada é mais justo do que contribuir conforme a sua prosperidade!”. Confesso que por vezes, eu, quando preso a esse dogma por achar que estava honrando a Deus, racionava, como muitos, da seguinte forma: “Qualquer que seja a sua renda, Deus requer apenas os ‘10% que Lhe pertencem’. O que pode ser mais justo do que isso?”. Como matemático que sou por formação, eu ainda assinava em embaixo, dizendo: “De fato é justo!”. Mas divagações ou especulações não estabelecem verdades. Voltando ao texto, vejamos: Será que o fato de Paulo haver dito “conforme a sua prosperidade” restringe a contribuição à décima parte dos rendimentos do contribuinte? Não creio! Paulo não está nem mesmo pedindo emprestado do Antigo Testamento qualquer suposto tipo ali presente e que remeta à prática que aqui ele recomenda [não impõe] aos coríntios, como o fez em outras ocasiões. Uma outra pergunta, que faço com toda a honestidade possível é: Quem nomeou como sacerdotes levitas [se é que isso era possível] o apóstolo Paulo ou seus representantes, os quais eram responsáveis por receber o suposto “dízimo” dos coríntios e levá-los a Jerusalém? Aliás, todos sabemos que o Templo israelita ficava em Jerusalém, mas pergunto: Estaria Paulo levando o tal “dízimo” às autoridades no Templo? E o que dizer de sua destruição no ano 70 d.C.? Onde o “dízimo” passou a ser entregue?
 
De fato, não há como relacionar a prática do dízimo à vida e piedade cristã. Nem como princípio! Não necessitamos de “remendos velhos em pano novo”. A “lei” da graça é maior, e é perfeita! Devemos reconhecer que as únicas razões pelas quais esta “doutrina” mosaica ainda é praticada e, por que não dizer, imposta a muitos ainda hoje, e totalmente fora de seu contexto específico, são a avareza de muitos daqueles que supostamente são tidos como os sucessores dos levitas, o que não se sustenta à luz das Escrituras, e a ideia de que a assembleia não cumprirá com sua responsabilidade de amparar os que obram por ela se isto não lhe for exigido “legalmente” ou sem que haja o mínimo de coação para que o façam.
 
Finalizando, pergunto: É o dízimo anterior à lei? E se for, isso o tornaria uma prática obrigatória e necessária à Igreja? Quais os pressupostos? Essas e outras questões, se possível, ainda serão tratadas mais adiante!
 
Rascunho de ensaio sobre o dízimo - (Ainda não concluído!)
D. S. Castro.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Fora do Arraial

Leitura: Hebreus 13:17
 
“Saiamos, pois, a ele [a Cristo], fora do arraial, levando o seu vitupério”.
 
Para muitos cristãos ainda associados a algum dos incontáveis sistemas denominacionais existentes hoje na cristandade, não parece muito clara a ideia de como alguém que também se diz cristão possa não pertencer a nenhuma dessas associações. Erroneamente, alguns creem que se uma pessoa não faz parte de um grupo específico de cristãos, devidamente identificado por uma espécie de “rótulo ministerial” – os assim chamados “ministérios denominacionais” – essa tal pessoa não está, de fato, vinculada a Cristo, pois não há qualquer menção nas Escrituras – afirmam os que defendem essa ideia – de que um cristão possa viver “isolado”.
 
Primeiramente, é importante deixar claro que toda essa confusão existente hoje na cristandade com respeito às inúmeras facções, partidos, seitas e denominações cristãs, com seus incontáveis ministérios e subdivisões, não tem qualquer respaldo ou fundamento bíblico e, embora Deus, por sua longanimidade para com o Seu povo – os santos, a Igreja – continue tolerando esses e outros abusos da carnal insensatez humana, Ele jamais aprovou a persistente afronta daqueles que insistem em manter-se partidários desses sistemas, mesmo depois – o que lhes agrava ainda mais a culpa – de terem sido confrontados com o mais claro e genuíno ensino das Escrituras expondo e condenando todo o erro por detrás desses sistemas ou ordens puramente humanas impostas sobre os membros do corpo de Cristo. É incontestável, por exemplo, pelo próprio contexto, a aplicação de 2 Coríntios 1:12 e 3:4 à enorme e lamentável confusão tão presente hoje no meio da cristandade. A mesma carnalidade que deu origem as divisões entre os coríntios, tem sido a causa das inúmeras divisões que por séculos têm afligido a Igreja de Cristo. Nenhuma denominação, seita ou partido cristão está isento, portanto, da culpa por este pecado, ainda que com as melhores intenções tenham elas sido estabelecidas por homens piedosos e tementes a Deus, mas que fracassaram – alguns por ignorância, outros por omissão – em dar este lamentável passo em direção contrária à perfeita vontade de Deus para o Seu povo, fomentando ainda mais este triste erro secular que nos tem privado da mais plena e genuína comunhão que deveria haver entre todos os membros do corpo de Cristo à semelhança do que será no céu (Mateus 6:10).
 
Em segundo lugar, aqueles que decidiram separar-se de toda essa confusão, cientes da desonra e do triste testemunho para o mundo que toda essa ordem humana tem trazido ao santo nome de Cristo, não o fizeram por que desejaram “isolar-se” como pode parecer aos que não têm tido a coragem necessária para pôr em prática aquilo que a Palavra de Deus estabelece como Sua perfeita vontade para os que desejam cumpri-la. Aliás, Deus está disposto a revelar Sua perfeita vontade, mas apenas aos que desejam pô-la em prática, e não àqueles que apenas desejam conhecê-la (João 7:17). Querer ‘conhecer’ não é suficiente, é preciso querer ‘fazer’! Em 2 Timóteo 2:20, ao apresentar a cristandade como uma ‘grande casa’ Paulo nos instrui a nos ‘purificarmos destas coisas’, para que sejamos ‘vasos para honra’. De que coisas devemos nos purificar? Certamente de tudo aquilo que desonra o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, o que inclui toda esta confusão causada pelos ‘vasos de desonra’ também presentes na grande casa. Paulo nos diz ainda que somente um ‘vaso de honra’ está preparado para ‘toda boa obra’. Pergunto: Algum membro do corpo de Cristo, associado a um grupo cristão em particular poderá, em todos os aspectos, ter plena liberdade para tratar com os membros do corpo do Senhor atrelados a outro grupo distinto? Não creio que ele tenha essa liberdade e, portanto, em seu testemunho cristão ele não estará assim preparado para TODA boa obra que o Senhor queira usá-lo. ‘Purificar-se destas coisas’ significa, portanto, ‘separar-se’ da desordem presente na grande casa, contudo não para viver “isolado”, pois de fato a Bíblia não nos recomenda isto, embora em circunstâncias extremas não exista outra saída para os que querem cumprir a vontade de Deus e viver para a Sua glória. A Bíblia e a própria história registram incontáveis exemplos de homens que se levantaram contra tudo aquilo que desonrava o santo nome do Senhor e que, por isso, foram perseguidos, desprezados, e até mesmo torturados e mortos por decidirem não tomar parte naquilo que suas consciências expunham como um agravo à santidade que Deus requer de Seu povo. Eles pagaram um alto preço por decidirem ‘separar-se’ do erro. Quantos hoje estão dispostos a pagar esse preço e a mostrar que o ‘nascer de novo’ é uma questão de ‘natureza’ e não de afiliação a uma instituição ou ordem humana? Quantos?
 
Finalmente, a passagem da leitura (Hebreus 13:17) nos conclama a sairmos do que hoje poderíamos chamar de “arraial” da cristandade, com todos os seus ofícios e tradições, muito semelhantes ao que se via no arraial do judaísmo, e a sofrer o vitupério, isto é, a desonra que Cristo sofreu por romper com tudo aquilo que Sua morte na cruz anulou definitivamente. Contudo, devemos estar cientes de que assim como Cristo não recebeu a honra dos homens ao romper com aquelas tradições, também não receberão o louvor dos homens àqueles que decidirem separar-se desta confusão no atual “arraial” da cristandade. Pense nisso!
 
D. S. Castro.